Dona Julia

Dona Julia

Dona Julia

Júlia tem sede. Ela e Laika, sua cadela invisível, ocupam a mesa de um bar solitário. A embriaguez a desmascara, revelando sua expressão mais assustadora, numa fala que transita entre o delírio e o falso moralismo, pilares do incitamento ao ódio tão presente nos discursos atuais. Dona Júlia é o retrato caricato de um país traumatizado por um desgoverno opressor.

O espetáculo flerta com a linguagem do Teatro do Absurdo para contar a história de uma mulher que é, ao mesmo tempo, vítima dos abusos de uma sociedade estruturalmente machista e algoz dos discursos de ódio predominantes atualmente, principalmente na política.

As tensões provocadas pela polarização ideológica no Brasil fizeram desmascarar os mais diversos preconceitos e opressões, também alimentados pela desinformação e pela propagação deliberada das “fake news”. Dona Júlia é fruto desta sociedade doente e cambaleante que, na embriaguez, encontra a válvula de escape para evocar um discurso falso moralista e delirante sobre a sua vida e a dos outros.

Tendo como interlocutores o garçom do bar e Laika, sua cadela invisível, Júlia irá atravessar o vale da sombra e da morte como espelho de sua própria existência, subtraindo de si, ao final desta travessia traumática, toda sua humanidade.

OS ANTECEDENTES DE JÚLIA

Júlia surge do desejo de dar amplitude a personagem homônima do autor, professor e diretor mogiano, Benê Rodrigues, que em 1991 / 1992 com sua peça "É Proibido Tocar os Seios de Mamãe" arrebata Rita Oliveira e Antonio Apolinário, ambos nessa época estudantes do Curso Técnico de Teatro do Conservatório Carlos Gomes de Campinas. A montagem, orientada por Benê, fazia parte da formatura de colegas veteranos daquele ano.

Em 1994, Rita ingressa na EAD – Escola de Arte Dramática da USP, e para a sua apresentação no tradicional show de calouro da escola, ela resolve apresentar um trecho da peça "É Proibido Tocar os Seios de Mamãe".  Fora escolhida a cena da lanchonete, na qual Dona Julia sorve seu wisk conversando com sua companheira de estimação: uma cadela de chamada Laika. Trata-se de uma passagem inesquecível que ficou impressa na memória de sua turma, lembrada até os dias atuais.

O texto do Benê continua a reverberar e provocar seus leitores. Em 2006, Moacir Prudêncio Júnior desenvolve uma pesquisa de linguagem para seu Trabalho de Conclusão Curso, parte do seu TCC de bacharelado em direção Teatral na Universidade Federal de Ouro Preto.

Em 2012, Rita Oliveira, Antonio Apolinário e Moacir Prudêncio Júnior dão início, em Hortolândia – SP, a um processo de pesquisa para criar uma montagem teatral tendo como mote a personagem Dona Júlia. Essa pesquisa fora suspensa e retomada agora em 2021.       

 AS CAMADAS DA MONTAGEM

Tendo como ponto primordial o trabalho de atuação e seus desdobramentos no processo da sala de ensaio e pautado nos preceitos da criação colaborativa, o trabalho foi gestado em equipe por cabeças e mãos diversas. Driblando os desafios vigentes e estreitando as distâncias geográficas. Desse modo, criadores e criadoras dos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo se conectaram para gerar e compartilhar com os espectadores uma obra atravessada por múltiplas afetações: conexões virtuais, telefonemas, quedas de internet e todos os possíveis atritos advindos dessa nova realidade de criar cenicamente. Via mediação desses dispositivos, fomos provocades a criar e investigar camadas e profundidades das peles em estado de transformação constante.

A música cênica criada durante os ensaios dialoga como uma personagem viva que interage simultaneamente com a protagonista Júlia, como uma provocação direta aos estados, escombros e tormentas dessa mulher que passa em revista sua vida enquanto traga seu wisk.

 Os elementos visuais – cenografia, iluminação, figurino – que compõem a encenação, procuram flertar com os ambientes noturnos retratados pelo pintor pós-impressionista Henri de Toulouse – Lautrec. Busca reler a áurea dos seus cabarés, suas atmosferas e seus imagináveis acontecimentos. A boemia materializada no movimento de suas pinturas, testemunham e eternizam crônicas de um tempo, captadas pelo olhar atento e sensível de seu criador. Sua obra nos convoca a imaginar as ações de suas personagens femininas e nos fornecem pistas para desvendar a nossa D. Júlia.

Informações adicionais

  • Nome do Grupo: Cia de Teatro São Genésio
  • Pais: Brasil
  • Estado / Cidade: São Paulo / Hortolândia
  • Indicação: 14 Anos
  • Data de Apresentação: 10/04/2021 - 22:00 H. (sábado) 12/04/2021 - 22:00 H. (segunda-feira) 13/04/2021 - 22:00 H. (terça-feira) 14/04/2021 - 22:00 H. (quarta-feira) 15/04/2021 - 22:00 H. (quinta-feira) 17/04/2021 - 22:00 H. (sábado) 19/04/2021 - 22:00 H. (segunda-feira) 20/04/2021 - 22:00 H. (terça-feira) 21/04/2021 - 22:00 H. (quarta-feira) 24/04/2021 - 20:00 H. (sábado)
  • Complemento:

    FICHA TÉCNICA

    ELENCO

    |

    Rita Oliveira e Cristiano Cobra 

    DRAMATURGIA | Moacir Prudêncio Júnior
    DIREÇÃO | Antonio Apolinário

    ASSISTENTE DE DIREÇÃO/PREPARAÇÃO CORPORAL 

    | Fernanda Jannuzzelli
    MÚSICA ORIGINAL | Cristiano Cobra
    ILUMINAÇÃO | Airton Silva 
    DIREÇÃO DE ARTE/ CENOGRAFIA/ PELES EM PROCESSO | César Póvero / Antonio Apolinário
    COSTUREIRAS | Nice Cardoso e Rusmarry Araújo
    PRODUÇÃO EXECUTIVA   Juraci Moreira 
    PRODUÇÃO GERAL | City Web Arte e Inteligência

Galeria de Imagens

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